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Natureza do objeto extraterrestre que colidiu em 1908 ainda é misteriosa

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O lago Cheko pode ser uma cratera resultante da explosão de Tunguska, em 1908 (Foto: Reprodução)


A composição do corpo extraterrestre que atingiu a região de Tunguska, na Sibéria, há exatos cem anos continua ainda uma questão muito controvertida.

Em 1930, o astrônomo britânico F.J.W. Whipple sugeriu que o corpo de Tunguska fosse um pequeno cometa. Um cometa meteorito, sendo composto principalmente de gelo e poeira, poderia ter sido completamente vaporizado pelo impacto com a atmosfera da Terra, sem deixar traços visíveis.

A hipótese de cometa foi apoiada principalmente pela intensa luminosidade do céu noturno observada em toda a Europa durante várias noites após o impacto, aparentemente causada pela poeira, que tinha sido dispersa em toda a atmosfera superior.

Além disso, análises químicas da região têm mostrado grande presença de material cometário. Em 1978, astrônomo eslovaco Lubor Kresak sugeriu que Tunguska deveria ser um pedaço do cometa de curto período Encke, responsável pela chuva de meteoro Beta Taurídeos. Com efeito, o evento de Tunguska coincidiu com um pico desse enxame meteórico.

Atualmente, sabe-se que esses bólidos explodem regularmente a dezenas e centenas de quilômetros antes de se chocar com o solo. Desde o advento dos satélites militares, tais explosões têm sido observadas durante décadas.

Em 1983, o astrônomo Z. Sekanina (1936 - ) publicou um artigo criticando a hipótese cometária. Ele salientou que um organismo composto de material cometário, viajando através da atmosfera, ao longo dessa trajetória superficial, devia ter se desintegrado, enquanto o corpo de Tunguska aparentemente permaneceu intacto na atmosfera inferior.

Sekanina argumentou que as provas apontavam para um denso objeto rochoso, provavelmente de origem asteroidal. Essa hipótese foi ainda mais impulsionada, em 2001, quando P. Farinella, L. Foschini e outros divulgaram um estudo que sugeria que a órbita do objeto responsável pelo evento de Tunguska tinha origem no cinturão de asteróides. Com efeito, após obterem 886 órbitas, eles estimaram que a probabilidade de que o objeto Tunguska se deslocasse numa trajetória asteróidal é superior a uma cometária, 83% e 17%, respectivamente.

Os defensores da hipótese do cometa sugeriram que o objeto era um cometa extinto com um manto pedregoso que lhe permitiu penetrar a atmosfera. A principal dificuldade na hipótese asteróidal é de que um objeto pedregoso deve produzir uma grande cratera ao atingir o solo. No entanto, em Tunguska essa cratera não foi encontrada. Tem-se sugerido que a passagem do asteróide através da atmosfera causou uma elevação de pressões e temperaturas até um ponto em que o asteróide abruptamente se desintegrou numa enorme explosão.

A destruição teria de ser tão completa que não sobreviveriam restos de grande dimensão, e os materiais dispersos na atmosfera superior durante a explosão teriam causado a luminosidade noturna.

Modelos publicados em 1993 sugeriram que o meteoróide pedregoso teria cerca de 60 metros de diâmetro, com propriedades físicas entre um condrito comum e um condrito carbonato.

O astrônomo Christopher Chyba e outros têm proposto um processo em que um meteorito pedregoso poderia exibir um comportamento semelhante ao de Tunguska. O resultado não produz nenhuma cratera, pois os danos se distribuem ao longo de um raio bastante amplo, causando uma enorme explosão.
Uma cratera?
Seria o Lago Cheko a cratera do núcleo principal do meteoróide que explodiu em 1908?

Em 1960, estudando a região de Tunguska, dois cientistas russos, V.A. Koshelev e K.P. Florensky, anunciaram a descoberta de um pequeno depósito de água, o lago Cheko, situado cerca de 8 km a noroeste do provável centro do fenômeno. Na época, Koshelev sugeriu a possibilidade de que esse lago fosse uma cratera de impacto meteórico, talvez associada à queda de Tunguska.

No entanto, o geólogo e astrônomo soviético Kirill Pavlovich Florensky (1915-1982) recusou a idéia, pois acreditava, com base no estudo das camadas de sedimentos no fundo do lago, que a formação do lago fosse anterior ao evento Tunguska.

Recentemente, em junho de 2007, os pesquisadores italianos Luca Gasperini (1929-), Enrico Bonatti e Giuseppe Longo (1929- ), da Universidade de Bologna, após pesquisarem a forma do fundo do lago Cheko na região de Tunguska, chegaram à conclusão de que o seu perfil era muito diferente dos outros lagos siberianos, que apresentavam em geral um fundo chato.

A forma afunilada do lago Cheko é muito semelhante à estrutura dos lagos produzidos por crateras de impacto. Essa descoberta serviu de estímulo para que os pesquisadores italianos procurassem uma associação maior com o evento. Pesquisando em mapas geográficos da região anteriores a 1908, os pesquisadores localizaram um mapa militar da época czarista de 1883, onde não existia um registro do lago.

Pessoas nativas da região confirmaram que o lago teria sido formado depois da explosão de 1908. E pesquisas feitas pelas paleobotânicas italianas Carla Alberta Accorsi e Luíza Forlandes, da Universidade de Bologna, verificaram que os depósitos do lago não superavam um metro de espessura, característica compatível de uma formação mais recente.

Os pesquisadores italianos localizaram, após criteriosa análise dos perfis obtidos sobre todo lago, um ponto mais profundo no centro do lago provavelmente um objeto rochoso de cerca de um metro de diâmetro. Esses resultados foram reforçados pela descoberta de anomalias magnéticas observadas no mesmo ponto durante o levantamento com magnetômetro.

Os italianos pretendem voltar para perfurar o centro do lago com objetivo de atingir o objeto que poderia ser fragmento do meteorito de Tunguska, ainda em 2008. Será que esse mistério de 100 anos, será finalmente resolvido?
Hipóteses especulativas
A compreensão científica do comportamento dos meteoritos na atmosfera da Terra era muito imprecisa nas primeiras décadas do século XX, em virtude da falta de conhecimento. Em conseqüência, muitas hipóteses relativas ao fenômeno Tunguska devem ser rejeitadas pela ciência moderna.

Buraco negro
Em 1973, os físicos Albert A. Jackson IV and Michael P. Ryan Jr., ambos da Universidade do Texas, propuseram que a bola de fogo de Tunguska foi causada por um microburaco negro que atravessou o globo terrestre. Para essa hipótese, não há nenhuma evidência de uma segunda explosão ocorrida quando o microburaco negro saiu da Terra. Essa hipótese não teve uma aceitação universal. Além disso, a posterior descoberta por Stephen Hawking de que buracos negros irradiam energia indica que um pequeno buraco negro teria evaporado antes que pudesse encontrar a Terra.

Antimatéria
Em 1965, Cowan, Atluri e Libby sugeriram que Tunguska foi causada pela aniquilação de um pedaço de antimatéria proveniente do espaço. No entanto, tal como acontece com as outras hipóteses descritas aqui, nenhum resíduo foi encontrado na área da explosão. Além disso, não há nenhuma evidência astronômica da existência de tais pedaços de antimatéria em nossa região do universo. Se tais objetos existissem, eles estariam constantemente produzindo raios gama, em virtude do aniquilamento no meio interestelar, mas os raios gama não têm sido detectados.

Eletromagnetismo
Algumas hipóteses associam Tunguska às tempestades magnéticas semelhantes às que ocorrem, após as explosões termonucleares, na estratosfera. Por exemplo, em 1984 V.K. Zhuravlev e A.N. Dmitriev propuseram um modelo heliofísico baseado em "plasmóides" ejetados pelo Sol. Valeriy Buerakov também desenvolveu um modelo independente de uma bola de fogo eletromagnética.

Explosão de uma nave alienígena
Amantes da ufologia há muito tempo sustentam que Tunguska é o resultado da explosão de uma nave alienígena enviada para "salvar a Terra de uma ameaça iminente". Esta hipótese provém de uma história de ficção científica escrita por Aleksander Kazantsev, engenheiro soviético, em 1946, na qual uma nave espacial é movida a energia nuclear. Essa história foi inspirada por Kazantsev pelo bombardeio de Hiroshima, em 1945. Muitos fatos do relato de Kazantsev foram posteriormente confundidos com as ocorrências reais em Tunguska.
A hipótese de óvni usando força nuclear adaptada para tevê foi tomada dos escritores Thomas Atkins e John Baxter, em seu livro "The Fire Came By" (1976). Em 1998, a série televisiva "The Secret KGB UFO Files", difundida pela TNT, refere-se a Tunguska como "o Roswell russo", informando que os destroços do óvni tinham sido recuperados.
Em 2004, um grupo de cientistas russos do Tunguska Space Phenomenon Public State Fund alegou que foram encontrados destroços de uma nave espacial alienígena no local. Os defensores da hipótese óvni nunca foram capazes de fornecer qualquer prova significativa para as suas reivindicações.
Note-se que a queda de Tunguska está perto do Cosmódromo de Baikonur e, por isso, tem sido repetidamente contaminada por resíduos espaciais russos, especialmente pelo fracasso do lançamento do quinto vôo de teste da nave Vostok, em 22 de dezembro de 1960. A carga útil caiu perto do local de impacto Tunguska, quando uma equipe de engenheiros foi enviada para recuperar a cápsula e os seus passageiros (dois cães que sobreviveram).

Torre de Wardenclyffe
Também foi sugerido que a explosão Tunguska foi o resultado de uma experiência de Nikola Tesla com sua Wardenclyffe Tower, quando Robert Peary realizou a segunda expedição ao Pólo Norte. Tesla tinha alegado que a torre poderia ser usada para transmitir energia eletromagnética a grandes distâncias, tendo alegado que enviou uma comunicação a Peary, aconselhando-o permanecer alerta para a ocorrência de fenômenos extraordinários como as auroras quando tivesse tentando ir ao Pólo Norte.

No entanto, o funcionamento da Torre de Tesla não era bem compreendido, e acredita-se que Tesla nunca tenha tentado usá-la com esse objetivo. Não se sabe se o mecanismo poderia produzir energia e transmiti-la longitudinalmente para produzir um evento semelhante ao de Tunguska, equivalente a uma explosão termonuclear; o núcleo atômico nem sequer tinha sido descoberto, o que só ocorreu na década seguinte. Se bem que, já, em 1891, com referência à estrutura do éter e ao electromagnetismo, Tesla afirmava que deveria existir “um mundo infinitesimal, análogo ao macrocosmo”.

Independentemente, se fosse possível que a instalação de Tesla produzisse tal efeito, o principal argumento de que Tesla não foi responsável pelo evento de Tunguska é o fato de que ele ocorreu por volta das 7h da manhã. Considerando os dados (se eles podem ser confiáveis), as experiências de Tesla foram realizadas na noite de 30 de junho. Ela ocorreu cerca de 6 horas antes do evento de Tunguska, ou seja, a uma hora da manhã do dia 30 de junho, tempo local em Nova York.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é astrônomo, autor de mais de 85 livros, dentre eles "Nas fronteiras da Intolerância: Einstein, Hitler, a Bomba e o FBI".

16/07/2008

Fonte: http://g1.globo.com/



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Rússia queria explorar minério de bólido extraterrestre que caiu há cem anos

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Editoria de Arte/G1

Mapa indica local em que o bólido adentrou a atmosfera terrestre, na região siberiana (Foto: Editoria de Arte/G1)


Não se tem notícia de quaisquer expedições que tivessem atingido a região logo após a misteriosa explosão de Tunguska, na Sibéria, em 1908; provavelmente, os seus registros se perderam durante os caóticos anos subseqüentes em virtude da Primeira Guerra Mundial, da Revolução Russa e da Guerra Civil Russa.

A primeira expedição, uma década após o evento, da qual existem registros ocorreu em 1921, quando o mineralogista russo Leonid Kulik (1883-1942) visitou a bacia hidrográfica de Tunguska para realizar um levantamento para a Academia de Ciências Soviética.

Durante essa exploração, Kulik aproveitou para estudar os relatos dos moradores sobre o fenômeno de 1908, quando concluiu que a explosão teria sido provocada pelo impacto de um meteorito gigante. Uma vez aceita essa idéia, acreditando que se poderia explorar com grande lucro o ferro e outros metais trazidos pelo meteorito ao local de impacto, Kulik iniciou uma longa pesquisa para identificar com precisão o ponto da queda.

Após minucioso estudo nos jornais da época, Kulik resolveu distribuir um questionário em algumas aldeias siberianas, para determinar com precisão o ponto provável da explosão e obter uma melhor visão da ocorrência.

De volta a Moscou, Kulik persuadiu o governo soviético a financiar uma expedição para a região de Tunguska, com base na perspectiva de que o ferro meteórico poderia ser recuperado e constituir uma expressiva ajuda à indústria.

Em 1924, os testemunhos mais valiosos foram obtidos pelo geólogo soviético Vladimir Afanasyevich Obruchev (1863–1956), que, durante seu trabalho ao longo do rio Tunguska, procurou ouvir os habitantes da região.

Constatou que os moradores, os tungues, tinham uma atitude de profundo respeito pelo fenômeno, pois afirmavam que o meteoro era sagrado.


Havia mesmo certo receio de falar sobre o assunto, pois acreditavam que o meteoro fora enviado em sinal de castigo e por isso procuravam ocultar o local da queda. Isso confirmava que não deviam estar muito longe do local do impacto.

Em fevereiro de 1927, Kulik partiu para a segunda viagem, agora com objetivo mais bem definido. A primeira parte da viagem foi feita de trem, até Kanks, e o resto de trenó, puxado por cavalo. Suportaram temperatura de -4 graus Celsius, apesar de estarem na época mais favorável.

Ao atingirem o rio Tunguska, resolveram acompanhar o rio Chambém e depois o rio Makirta. Em 13 de abril, nas margens desse último, contemplaram um panorama inenarrável: uma imensa devastação na floresta, que aumentava à medida que se dirigiam para o norte.

Enormes árvores seculares haviam sido derrubadas e uma grande área de árvores mortas mostrava sinais de calcinação de cima para baixo, como se um súbito e instantâneo calor as houvesse queimado.


Imagem feita pelas primeiras expedições que viajaram à região de Tunguska e viram a floresta devastada pelo impacto (Foto: Reprodução)


Impacto sem cratera

Não havia sinal de um incêndio. Só o calor poderia ter causado aquele tipo de destruição, concluíram Kulik e sua equipe, depois de cuidadosa análise. Para sua surpresa, nenhuma cratera foi encontrada; nenhum sinal de uma cratera meteórica semelhante à grande Meteor Crater, que existe no Arizona.

Ao contrário, encontrou-se uma região de cerca de 50 km de diâmetro onde as árvores estavam inclinadas e queimadas. Na região situada abaixo da explosão, os troncos calcinados ainda estavam estranhamente de pé na posição vertical, os seus ramos e casca despojados. As árvores mais afastadas do centro, ao redor do epicentro do evento, haviam sido derrubadas pela onda de choque que se deslocou do centro para a periferia.

Insatisfeito com os resultados, Kulik voltou em 1928, e depois em 1929, quando permaneceu mais de 18 meses na região, efetuando pesquisas, sondagens e escavações. Chegaram até a perfurar vários poços com mais de 20 metros de profundidade, em busca de fragmentos do tal meteorito. Não encontraram nada. Verdadeiro mistério. Para Kulik, talvez o meteoro não houvesse se chocado com a Terra, mas explodido no ar acima da região sinistrada.

Em 1930, o matemático e meteorologista inglês Francis John Welsh Whipple (1876-1943), superintendente do Observatório de Kew, e o soviético Igor Stanislavovich Astapovich (1908-1976) concluíram independente e simultaneamente, que o objeto que caiu em Tunguska era provavelmente um cometa gasoso.

Na mesma época, um dos principais colaboradores de Kulik, o astrônomo e geólogo soviético Yevgeny Leonidovich Krinov (1906-1984) concluiu também que a bola de fogo de 1908 tinha sido um meteorito, como está publicado em "The Tungus Meteorite", 1949.

Não satisfeito com os resultados de suas pesquisas, Kulik voltou em 1938/1939 à região do impacto. Durante os dez anos seguintes, mais três expedições foram realizadas na área.

Kulik encontrou algumas “covas de poste”, turfeira que acreditou serem crateras, mas, depois de um laborioso trabalho de drenagem da turfeira, encontraram-se velhos troncos no fundo, excluindo a possibilidade de que se tratava de uma cratera meteórica.

Em 1938, Kulik conseguiu realizar um levantamento aerofotogramétrico da região, que revelou que o evento, além de provocar a destruição das árvores, apresentava-se como uma enorme estrutura em forma de borboleta.

Apesar da grande de devastação, nenhuma cratera foi descoberta. As conclusões dessas últimas expedições foram interrompidas pela Segunda Guerra Mundial, quando o mineralogista Kulik, ferido em combate, morreu num campo de prisioneiros, em 1942.

Após a interrupção causada pela Segunda Guerra Mundial, as expedições foram retomadas depois de 1958. Na década de 1960, expedições enviadas para a área encontraram esferas de vidro microscópicas em pérolas do solo. Análise química mostrou que as esferas continham um alto nível de níquel e irídio, que são encontrados em concentrações elevadas nos meteoritos, indicando que eles eram de origem extraterrestre.

Mais tarde, a Universidade de Tomsk, na Sibéria, associou-se ao Instituto Científico de Pesquisas em Biologia e Biofísica, que organizou, sob a direção de Gennady Plekhanov, duas expedições para pesquisar indícios de uma contaminação radioativa na região, em 1959 e 1960. No entanto, não encontraram níveis elevados de radiação, o que se poderia esperar se a detonação fosse de natureza nuclear.

Hipótese do meteoro

Nos meios científicos, a explicação dominante é a de uma explosão atmosférica de um meteoróide entre 6 e 10 quilômetros acima da superfície da Terra. Meteoros estão constantemente penetrando na atmosfera da Terra, provenientes do espaço exterior, normalmente viajando a uma velocidade de mais de 10 quilômetros por segundo.

O calor gerado pelo atrito contra a atmosfera é imenso, quando a maioria dos meteoros queima-se completamente ou explode antes que eles possam alcançar o solo. A partir da segunda metade do século XX, acompanhamento de perto da atmosfera da Terra levou à descoberta de que meteoros que explodem na atmosfera ocorrem com bastante freqüência. Um meteoróide pedregoso de cerca de 10 metros de diâmetro pode produzir uma explosão de cerca de 20 quilotons, semelhante à bomba atômica Little Boy, lançada sobre Hiroshima; dados liberados pelo Programa de Apoio de Defesa da Força Aérea dos Estados Unidos têm demonstrado que essas explosões ocorrem a uma taxa superior a uma vez por ano.

Já as explosões da ordem de um megaton ou maiores, semelhantes ao evento de Tunguska, são eventos muito raros. O astrônomo e geólogo norte-americano Eugene Shoemaker (1928-1997) estimou que eventos análogos devessem ocorrer à proporção de um a cada 300 anos.

Características da explosão

O curioso efeito da explosão de Tunguska sobre as árvores próximas ao epicentro tem sido observado também durante os testes nucleares realizados na atmosfera na década de 1950 e 1960, em virtude da onda de choque produzida por essas grandes explosões.

As árvores situadas diretamente embaixo da explosão se encontravam despojadas das folhas por uma onda de choque que se desloca verticalmente para baixo, enquanto árvores abatidas são aquelas situadas mais longe do epicentro, porque a onda de choque viaja mais horizontalmente, quando as alcançam.

Experiências soviéticas realizadas em meados dos anos 1960 com modelo de florestas e pequenas cargas explosivas produziram estruturas em forma de borboleta em uma contundentemente semelhança à encontrada na região do evento de Tunguska.

As experiências sugerem que o objeto deve ter se aproximado em um ângulo de aproximadamente 30 graus em relação à superfície terrestre e 115 graus ao norte, quando explodiu no ar.

Após as expedições efetuadas pela Academia de Ciências Soviética, em 1958, 1961 e 1962, a hipótese mais aceita passou a ser a do choque de um cometa. O astrofísico Vasiliy Grigorievich Fesenkov (1889-1972), membro da Comissão de Meteoros da Academia de Ciências da URSS, chegou mesmo a calcular que a possível velocidade do cometa na hora do impacto seria de 30 a 40 km por segundo.

A partir de 1963, o presidente da Academia de Ciências da URSS, o acadêmico Nikolai Vladimirovic Vasilyev (1930-2001), da Universidade de Tomska, Sibéria, coordenou cerca de 30 expedições científicas na região de Tunguska.

Somente depois de 1989 os cientistas estrangeiros foram oficialmente convidados a participar das expedições soviéticas.

Desde então as missões se multiplicaram com objetivo de encontrar uma explicação para o evento de Tunguska. O geólogo Roy A. Gallant foi o primeiro cientista americano a se associar a essas expedições que teriam mais tarde a colaboração de russos, alemães, japoneses, ingleses e italianos.

Nesse período, o engenheiro soviético Alexander Petrovitch Kazantsev (1906-2002), autor de inúmeros livros sobre xadrez e ficção científica, sugeriu que a explosão teria sido produzida pelo choque com a Terra de uma nave espacial marciana, movida por reatores nucleares. As determinações da radioatividade na região foram, entretanto, insuficientes para caracterizar tal ocorrência.

Segundo os estudos do astrônomo eslovaco Lubor Kresak (1927-1994), em 1978, a explosão de Tunguska deve ter sido provocada por um fragmento que se separou do núcleo do cometa periódico Encke. Com efeito, a análise da trajetória descrita pelo objeto que se chocou na Sibéria é quase idêntica aos elementos do cometa Encke.

Parece que a seis quilômetros de altitude do local do impacto ocorreu uma explosão muito luminosa que gerou uma onda de choque que devastou uma área de dois mil quilômetros quadrados, sem provocar nenhuma cratera, pois o objeto deve ter se desintegrado totalmente durante a explosão final.

Tudo indica que se tratava de um objeto muito frágil, que não ultrapassou em sua penetração na atmosfera uma altura superior a 6.000 metros.

Um exemplo semelhante ocorreu em dezembro de 1974, em Sumawa, Tchecoslováquia (hoje Eslováquia), quando uma bola de fogo foi registrada pelas câmaras todo-o-céu.

O corpo meteoróide desta bola de fogo devia ter cerca de 200 toneladas quando penetrou na atmosfera com uma velocidade de 25 km/s, tendo sido destruído completamente em 3 segundos.


As principais emissões luminosas ocorreram entre 73 e 61 km. Um único fragmento atingiu 55 km de altura.

Outro fenômeno análogo ao de Tunguska foi filmado pelos norte-americanos em outubro de 1969, em Ojarks. O corpo gerador de fogo de Ojarks devia possuir cerca de 35 toneladas. Quando atingiu 22 quilômetros de altura, desintegrou-se, provocando duas explosões, responsáveis por uma série de ondas de choque.

O corpo de Tunguska, segundo tudo indica, penetrou na atmosfera com uma velocidade de 31 km/s, chegando à altura de 6 quilômetros. Para atingir tal distância antes de se desintegrar, o objeto de Tunguska deve ter sido um rochedo bastante compacto, semelhante aos meteoritos condritos.

A sua desintegração, quando sua velocidade era de 12 a 14 km/s, provocou uma onda de calor capaz de queimar as vestimentas dos indivíduos situados a 60 km do local do impacto, como, aliás, foi relatado por testemunhas que viviam nas vizinhanças.

Para confirmar essa hipótese, encontrou-se uma enorme quantidade de pequenas esferas de metal e silício na região.

Tais conclusões sobre o objeto que se chocou com a alta atmosfera terrestre só foram possíveis graças aos estudos efetuados nas últimas três décadas com as redes de câmeras todo-o-céu, fotografando num campo de 180 graus, permitindo um registro contínuo dos bólidos que atingem o nosso envoltório gasoso.

Assim, foi possível estudar os objetos cujo diâmetro atinge dezenas de metros e cujo peso pode variar em centenas de toneladas. Entre esses se distinguem três diferentes tipos. Em primeiro lugar, os objetos compactos, rochosos, que podem ser associados aos meteoritos habituais. Depois os objetos mais frágeis, semelhantes aos meteoritos carbonatos. No terceiro grupo encontram-se duas espécies de materiais muito frágeis: um deles é uma forma primitiva de rocha carbonácea e a outra consiste em bolas de poeira. Não se registraram meteoritos metálicos que parecem representar 1% dos corpos encontrados no espaço. Tais estudos demonstraram que as maiores partes dessas rochas se pulverizam antes de atingir o solo.

As grandes ameaças continuam sendo realmente os fragmentos dos núcleos de cometas que se desintegraram, como o do Biela, no século XIX. Realmente, todos os cometas parecem perder 1% de sua massa, composta de gases e poeira, a cada passagem próxima ao Sol.

Por outro lado, a Terra anualmente cruza os seus fragmentos, de modo que um novo Tunguska pode ocorrer. Assim, mais uma vez fica confirmado que o aparecimento dos cometas não é indício de mau agouro. Na sua ausência, o perigo é muito maior; parodiando a célebre frase “cão que ladra não morde”, diríamos que “cometa que brilha não traz má sorte”.

Para a maioria dos cientistas, o caso estaria resolvido por aí. Mas ainda há quem pense de maneira menos ortodoxa.


Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
é astrônomo, autor de mais de 85 livros, dentre eles "Nas fronteiras da Intolerância: Einstein, Hitler, a Bomba e o FBI".

15/07/2008

Fonte: http://g1.globo.com/



Explosão misteriosa de bólido extraterrestre na Sibéria faz cem anos

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William K. Hartmann

Ilustração mostra explosão de Tunguska, na Sibéria (Foto: William K. Hartmann)



Em série de três artigos, astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão relata o episódio.
Saiba o que aconteceu, o que se apurou e quais são as hipóteses que explicam o ocorrido.

Há cem anos, na manhã de 30 de junho de 1908, às 7h14, hora local, uma enorme explosão ocorreu, após uma bola de fogo ter sido vista atravessando o céu. Não foram encontrados vestígios de um meteorito, mas uma onda de choque devastou toda uma região desabitada de florestas de taiga pantanosa que permanece congelada durante cerca de oito meses do ano, nas proximidades do rio Tunguska, cerca de 800 quilômetros a noroeste do lago Baikal, na Sibéria Central. Num raio de 30 quilômetros, todas as árvores foram destruídas. Ouviu-se o ruído a mais de mil quilômetros.

Uma estranha luminescência foi observada durante a noite em inúmeras regiões. Ao longo da Europa, registraram-se ondas sísmicas semelhantes às de um terremoto e perturbações no campo magnético terrestre. Os meteorologistas, com seus microbarógrafos, conseguiram determinar que as ondas de choque, oriundas da explosão, deram no mínimo duas voltas ao redor da Terra.

Na Ásia e na Europa, as noites se tornaram luminosas e os pores-do-sol assumiram um forte colorido vermelho.

Na realidade, o denominado Evento de Tunguska foi uma explosão que ocorreu na atmosfera acima de um sítio com as coordenadas geográficas 60°55’ N, 101°57' L, próximo ao rio Podkamennaya Tunguska, na província de Evenkia, na Sibéria. Mais tarde, a sua potência foi estimada entre 10 e 15 megatons. O episódio provocou a destruição de cerca de 60 milhões de árvores numa área estimada em 2.150 quilômetros quadrados.

Se o objeto responsável pela explosão tivesse atingido a Terra algumas horas mais tarde, ou melhor, explodido sobre uma área mais densamente povoada da Europa –- provavelmente sobre a cidade de São Petersburgo -–, em lugar de uma região de baixa densidade populacional, como Tunguska, possivelmente teria provocado uma enorme catástrofe, com uma maciça perda de vidas humanas.

O que se viu

Por volta das de 7 horas e 15 minutos da manhã, os tungues nativos e os colonos russos das colinas noroeste do lago Baikal observaram uma enorme bola de fogo que se deslocava no céu, quase tão brilhante como o Sol. Alguns minutos mais tarde, um intenso clarão iluminou metade do céu, acompanhado por uma onda choque que, além de golpear as pessoas, quebrou as vidraças das janelas das casas situadas num circulo de cerca de 650 km de raio. A explosão foi registrada na maior parte das estações sísmicas de toda a Eurásia, assim como produziu fortes oscilações na pressão atmosférica suficientemente intensas para serem detectado pelo barógrafos que tinham sido inventados recentemente na Grã-Bretanha.

Nas semanas que se seguiram à explosão, o céu noturno na Europa e na Rússia Ocidental apresentou uma luminosidade tão brilhante que sua luz era suficiente para que as pessoas pudessem ler um jornal. Nos Estados Unidos, o Observatório Astrofísico Smithsonian e o Observatório de Monte Wilson detectaram uma redução da transparência atmosférica que durou vários meses.

Surpreendentemente, na época, houve pouca curiosidade científica sobre o impacto; talvez em virtude da dificuldade em alcançar uma região tão isolada como as tungas siberianas, onde o fenômeno tinha sido observado.

A primeira explicação foi a de que um enorme meteoro, com um peso superior a um milhão de toneladas, havia caído em alguma região das florestas siberianas. Mas essa não seria a última palavra sobre o assunto...


Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é astrônomo, autor de mais de 85 livros, dentre eles "Nas fronteiras da Intolerância: Einstein, Hitler, a Bomba e o FBI".

14/07/2008

Fonte: http://g1.globo.com

Óvni brilhante surpreende astronautas a bordo do ônibus espacial Discovery

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Discovery deixa a estação espacial e segue rumo à Terra (Foto: Nasa/Reuters)

Objeto de apenas meio metro foi visto se deslocando de compartimento de carga.
Nasa vai analisar imagens, mas diz que deve se tratar de lixo espacial.
O comandante Mark Kelly e o piloto Ken Ham pegaram uma câmera fotográfica para clicar o objeto, que media pouco menos de meio metro e brilhava ao Sol conforme se afastava. Especialistas em imagens estão examinando as fotos para ver se há alguma razão para se preocupar.


"Não é nem um pouco incomum que objetos se desprendam da estrutura do ônibus espacial ou de seu compartimento de carga durante o acionamento dos jatos", afirmou Rob Navias, da Nasa. Os engenheiros da agência espacial americana também estão estudando uma pequena protuberância na cauda da "barbatana caudal" da nave, uma superfície aerodinâmica usada para guiar o ônibus espacial através da atmosfera durante o pouso.


Segundo Navias, acredita-se que a protuberância seja um pequeno pedaço de insulação do ônibus espacial. Nenhum dos problemas deve afetar os planos de pouso do Discovery por volta das 12h15 do sábado (horário de Brasília).
A tripulação do ônibus espacial Discovery, que se prepara para retornar à Terra neste sábado (14), relatou um fenômeno curioso: um aparente "objeto voador não-identificado" que foi visto flutuando para longe do compartimento de carga da nave, quando os jatos do Discovery estavam sendo testados.


13/06/2008


Fonte:http://g1.globo.com

Solo de Marte teria condições de abrigar vida, diz Nasa

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Material encontrado é mais alcalino do que o previsto e parecido com o solo da Terra.
Dados foram recolhidos pela sonda Phoenix, que já tinha encontrado gelo no planeta.

A Nasa (Agência Espacial Americana) revelou nesta quinta-feira (26) que o solo de Marte teria todas as condições de abrigar vida.



Veja o site do Jornal Nacional

Os dados foram recolhidos pela sonda Phoenix. De acordo com os cientistas, o material encontrado é muito parecido com o solo de qualquer quintal aqui na Terra.



Os cientistas afirmaram que uma análise preliminar de elementos de solo recolhidos pelo braço robótico do veículo mostra que é muito mais alcalino que o previsto.

"Basicamente encontramos o que parecem ser os requisitos, os nutrientes, para sustentar a vida, seja no passado, no presente ou no futuro", disse a jornalistas Sam Kounaves, o principal pesquisador do laboratório químico da sonda.

"É o tipo de solo que poderiam encontrar provavelmente no seu quintal, vocês sabem, de composição alcalina. Você poderia plantar aspargos ali muito bem... é muito emocionante para nós", disse o especialista.


Gelo havia sido encontrado

A sonda já tinha encontrado gelo no planeta vermelho. "Ficamos atônitos diante dos dados que conseguimos", acrescentou Kounaves.

Os cientistas não chegaram a dizer que agora acreditam que a vida, ainda em forma de micróbios, exista definitivamente em Marte, alegando que os resultados são muito preliminares e que mais análise é necessária.

"Não há nada no solo que impeça a vida. De fato parece muito acolhedor... não há nada ali que seja tóxico", indicou Kounaves.

A sonda Phoenix aterrissou em Marte em 25 de maio, depois de uma viagem de 10 meses.



(*) Com informações da agência Reuters

26/06/2008

Fonte:http://g1.globo.com

Sonda Phoenix pode já ter encontrado seu primeiro registro de gelo em Marte

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Sonda deixou rastro que lembra uma pegada (Foto: Nasa/Divulgação)

Estrutura batizada de Rainha da Neve pode ser formada por gelo (Foto: Nasa/Divulgação)


Imagens foram feitas logo após pouso da espaçonave no planeta vermelho.
Cientistas esperam encontrar mais amostras ao escavar o solo.
A sonda americana Phoenix, que pousou no ártico de Marte no dia 25 de maio, começou no sábado (31) a explorar o solo do planeta vermelho para retirar amostras e pode ter detectado gelo, informou a Nasa.

Ao tocar o solo de Marte, o braço articulado da Phoenix deixou na região marciana "King of Hearts" um rastro que lembra uma pegada, o que valeu o apelido de "Yeti", acrescentou a agência espacial americana em comunicado.

Este primeiro contato com o solo de Marte "nos permite utilizar o braço articulado com precisão. Temos as condições corretas para a coleta das mostras e sua transferência", disse David Spencer, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em Pasadena (Califórnia).

Imagens feitas pela câmera instalada no braço robótico permitem pensar que pode existir gelo debaixo da sonda Phoenix.

"O que vemos nestas imagens corresponde a idéia, talvez, de gelo e suspeitamos que tornaremos a vê-lo na zona de escavação", destacou o comunicado.

O braço mecânico da Phoenix tem quatro articulações que permitem movimentos laterais e verticais, além da possibilidade de escavar o solo e retirar amostras.

Esta é a primeira etapa de uma série de experimentos, que tem por objetivo retirar porções do solo marciano que serão estudadas na Terra. Esta exploração sem precedentes pode permitir descobrir indícios de vida primitiva passada no planeta.

02/06/2008

Fonte:http://g1.globo.com

Phoenix pousa com sucesso em Marte

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Equipe na sala de controle comemora pouso da sonda Phoenix neste domingo. (Foto: AFP)

A descida ocorreu exatamente como o planejado pela equipe.
Espaçonave já se comunica com a Terra a partir do solo.

O sinal foi recebido com muitos aplausos na sala de controle do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa, em Pasadena, Califórnia: a sonda Phoenix conseguiu fazer um difícil pouso próximo à região do pólo norte de Marte.

"Tudo indica que chegamos", disse, aliviado, ao G1 o engenheiro Ramon de Paula, logo que as primeiras transmissões começaram a fluir. O brasileiro é responsável pela missão no quartel-general da agência espacial americana, em Washington, mas foi acompanhar a descida "ao vivo" no JPL.

O sinal de pouso foi detectado como o previsto, às 20h53 (horário de Brasília). A descida teria ocorrido cerca de 15 minutos antes, mas esse é o tempo que as ondas de rádio levam para viajar de Marte até a Terra. Pelos dados recebidos até agora, a espaçonave desceu numa região praticamente plana -- um golpe de sorte para facilitar o pouso.



A Phoenix sobreviveu a uma longa jornada de dez meses no espaço interplanetário, até o pouso com sucesso. Espera-se que ela possa conduzir pelo menos 90 dias de observações.

Se o bom desempenho da sonda for confirmado, a Nasa terá três artefatos funcionando na superfície marciana. Além da Phoenix, os jipes Spirit e Opportunity, lançados em 2003, continuam em operação.


Grande desafio

A vitória obtida pelos engenheiros da Nasa não pode ser subestimada. A equipe da agência espacial americana tinha por objetivo realizar uma forma de pouso que foi conduzida com sucesso em Marte pela última vez em 1976 -- 32 anos atrás.

Em vez de usar airbags para o contato final com a superfície -- como o fizeram as missões robóticas Mars Pathfinder e Mars Exploration Rovers --, a Phoenix usou retrofoguetes, que desaceleraram a sonda e permitiram que ela pousasse suavemente sobre seus três pés.

A última sonda a tentar fazer isso foi a americana Mars Polar Lander -- que se espatifou no chão marciano, em 1999, e nunca mais foi vista. Curiosamente, a Phoenix está lá para fazer o que a Polar Lander não conseguiu -- descer numa das regiões mais geladas de Marte. Só que, enquanto a Polar Lander mirou uma área próxima ao pólo sul, a Phoenix tentará a sorte no pólo norte.

Todas essas emoções, a um custo de quase meio bilhão de dólares (US$ 420 milhões dos EUA, mais US$ 37 milhões vindos do Canadá, que bancou a estação meteorológica instalada a bordo da sonda).

Claro que, para arriscar tanto, a Nasa espera recompensas.


Sinais de vida

Caso a missão dê certo, terá uma oportunidade única de estudar o gelo marciano -- que tem, além de dióxido de carbono, também água, como seus componentes. Mais que isso, sensores poderão procurar, em meio a essas pedras congeladas, substâncias orgânicas. Seria o próximo passo na busca por vida no planeta vermelho, depois que os jipes Spirit e Opportunity constataram que Marte já teve grandes quantidades de água corrente em sua superfície -- um dos sinais para identificar a habitabilidade de um mundo, segundo os astrobiólogos.

Por ora, entretanto, tudo que a Nasa quer é que a Phoenix envie dados científicos. É um passo crucial para manter o programa de exploração marciana nos trilhos, já que o futuro não parece particularmente animador no planejamento da agência a partir da próxima década.

Fonte: http://g1.globo.com
25/05/2008

Sonda em órbita registra pouso da Phoenix em Marte

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No detalhe é possível ver a Phoenix descendo no planeta vermelho (Foto: Divulgação)
Na imagem colorida, o destaque dos pára-quedas da Phoenix (Foto: Divulgação)

Imagem feita a 760 quilômetros de altura mostra detalhes da descida. Engenheiros se surpreenderam com o feito da Mars Reconnaissance Orbiter. A câmera a bordo da sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) da Nasa, em órbita de Marte, flagrou o momento da descida da mais nova espaçonave no planeta vermelho: a Phoenix. A câmera HiRISE conseguiu uma imagem única ao registrar a Phoenix pendurada em seu pára-quedas enquanto se deslocava pela atmosfera marciana. É a primeira vez que uma nave espacial consegue capturar a imagem de outra em um planeta. A MRO estava a 760 quilômetros da Phoenix quando voltou suas lentes para ela e capturou a imagem da sonda a apenas 30 metros do chão. Até as cordas do pára-quedas estão visíveis. Os engenheiros responsáveis pela Phoenix elogiaram e agradeceram os colegas da MRO. "É uma imagem espetacular da Mars Reconnaissance Orbiter, o delírio de um engenheiro. Estava cético sobre a possibilidade de se fazer essa foto. Tiro o chapéu para a equipe da MRO", disse Barry Goldstein, gerente do projeto da Phoenix.

Fonte:http://g1.globo.com
27/05/2008

Colisão na infância definiu o futuro do planeta Marte

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Concepção artística de Marte sofrendo o impacto gigante que moldou sua superfície (Foto: Divulgação)

Colisão na infância definiu o futuro do planeta Marte, dizem cientistas Pancada com objeto de 2.000 km de diâmetro explica características do planeta hoje. "Cicatriz" do evento cataclísmico está preservada na forma de uma elipse de 10.000 km. Marte nunca foi um planeta de muita sorte mesmo. Mas um episódio em particular no princípio de sua história pode ter marcado para sempre o destino daquele mundo. Cientistas acabam de confirmar que o planeta vermelho foi vítima de um impacto gigantesco -- de deixar aquele que matou os dinossauros no chinelo -- há cerca de 4 bilhões de anos. A pancada deixou uma "cicatriz" imensa na superfície marciana, que só agora foi propriamente identificada pelos pesquisadores, de tão grande que era. É uma elipse de 10 mil quilômetros de largura, que só não foi identificada antes porque estava parcialmente camuflada pelo surgimento dos grandes vulcões marcianos por cima dela, numa etapa posterior da história do planeta. A configuração da superfície marciana, na verdade, sempre foi um mistério. Os cientistas passaram muito tempo intrigados com a grande diferença de topografia dos hemisférios Norte e Sul do planeta. Enquanto o Norte parece liso, com a crosta mais fina, o Sul era muito mais acidentado, e a crosta muito mais espessa.Mapeando essa diferença da forma mais acurada possível, o grupo de Jeffrey Andrews-Hanna, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), acaba de identificar a elipse-cicatriz e desfazer o mistério: o hemisfério Norte marciano foi vítima de um impacto gigante. A pancada, do que se sabe nessa região do Sistema Solar, é a segunda maior de que se tem notícia. Maior que essa, só mesmo a que envolveu a Terra, no comecinho de sua história, quando um objeto mais ou menos do tamanho de Marte colidiu com o planeta em formação, dando origem à Lua. Mas a megapancada marciana foi a única que deixou traços na superfície para que identificássemos corretamente. "Impactos maiores certamente ocorreram, mas eles não deixaram crateras para trás", disse ao G1 Andrews-Hanna. "O impacto que formou a Lua deve ter derretido a maior parte da porção externa da Terra, deixando para trás o que chamamos de 'oceano de magma' cobrindo a superfície." Andrews-Hanna indica que a elipse gigante de Marte -- batizada de bacia Borealis -- é a maior cicatriz de impacto já observada, quatro vezes maior que suas concorrentes principais (as bacias Hellas e Utopia, em Marte, e Aitken, na Lua). Os resultados do grupo de Andrews-Hanna foram publicados na edição desta semana do periódico científico "Nature". Também foram divulgados dois outros estudos, um vindo do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) e outro da Universidade da califórnia em Santa Cruz. O primeiro, comandado por Margarita Marinova, investigou em que condições um impacto desses pode ter produzido a cicatriz deixada em Marte. "Com base na simulações de Marinova e seus colegas, o objeto que atingiu o planeta devia ter um diâmetro de cerca de 2.000 km -- eles dão uma faixa que vai de 1.600 a 2.700 km", afirma Andrews-Hanna. O segundo, liderado por Francis Nimmo, modelou os resultados do impacto sobre a superfície de Marte, incluindo efeitos causados sobre o hemisfério que não foi atingido pela pancada cósmica. Para os cientistas, é muito importante identificar esse que é o primeiro episódio registrado da vida do planeta vermelho. "Na verdade, tudo que está preservado no registro geológico de Marte é mais novo que esse impacto", diz Andrews-Hanna. "Não temos meio de saber como era o planeta antes do impacto, mas é certo que um evento dessa magnitude teria afetado todos os aspectos da evolução subseqüente de Marte, incluindo clima e atmosfera. Esse foi provavelmente o evento definidor para produzir o planeta Marte que conhecemos hoje."

Fonte: http://g1.globo.com
26/06/2008

Cientistas descobrem sistema planetário com três superterras

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Equipe européia revela novos resultados com instrumento instalado no Chile.
Avaliação inicial sugere que pelo menos 1 em 3 estrelas tem planetas rochosos.
A estrela HD 40307 não parecia nada especial, um pouco menor, mas bastante parecida com o Sol. Mas, ao observá-la, um grupo de pesquisadores europeus descobriu três planetas ao seu redor -- todos eles aparentemente similares à Terra no que diz respeito à composição. O achado é parte de um censo maior que, segundo a equipe liderada por Michel Mayor, do Observatório de Genebra, confirma: a cada três estrelas similares ao Sol, pelo menos uma tem planetas rochosos, como a Terra. "Será que todas as estrelas abrigam planetas e, se for assim, quantos?", pergunta-se Mayor. "Nós podemos ainda não saber a resposta, mas estamos fazendo grandes progressos." O segredo do sucesso da pesquisa é o instrumento Harps, do Observatório de La Silla, no Chile -- parte do complexo do ESO (Observatório Europeu do Sul). Ele é capaz de detectar mínimas variações no movimento das estrelas -- o sinal de que há um planeta ao seu redor. Foi com esse instrumento que o mesmo grupo encontrou, em abril de 2007, o primeiro planeta potencialmente habitável -- um astro rochoso, localizado a uma distância da estrela que permite a existência de água líquida em sua superfície. 16/06/2008 Fonte: http://g1.globo.com

Todos os planetas rochosos (também ditos terrestres) até agora descobertos não são exatamente iguais aos que existem em nosso Sistema Solar (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte); por uma limitação tecnológica, só se pode encontrar astros com massa superior a duas vezes a da Terra, e por aqui não há nenhum planeta rochoso maior que o nosso.

Essa nova categoria de planetas, que não se encaixa nem nos terrestres do Sistema Solar, nem nos gigantes gasosos, foi apelidada pelos cientistas de "superterra".

As três superterras ao redor de HD 40307, localizada a 42 anos-luz de distância, têm 4,2, 6,7 e 9,4 vezes a massa da Terra. Eles giram ao redor da estrela em 4,3, 9,6 e 20,4 dias terrestres, respectivamente.

Os resultados foram apresentados numa conferência realizada em Nantes, na França. Nela, os cientistas também anunciaram a descoberta de dois outros sistemas planetários -- um com uma superterra (7,5 massas terrestres) que orbita a estrela HD 181433 em 9,5 dias e é vizinho de um gigante gasoso como Júpiter, que completa uma volta em cerca de três anos.

O outro sistema contém um planeta com 22 massas terrestres e órbita de quatro dias, acompanhado por um planeta como Saturno com um período de três anos.

Os detalhes serão publicados em artigos aceitos pelo periódico científico "Astronomy and Astrophysics".

16/06/2008

Fonte: http://g1.globo.com